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Build in Public
3 de outubro de 20259 min

Porque criei um gestor de tarefas por voz com IA

TAMSIV nasceu de uma frustração comum: listas de compras em papel coladas na geladeira, um clube de mergulho que gerencia tudo no WhatsApp, e aquela sensação constante de que a informação se perde entre os post-its e os grupos de discussão. Um dia, eu pensei: por que não podemos simplesmente falar para organizar nossa vida? Seis meses e mais de 700 commits depois, TAMSIV é um aplicativo Android completo com IA conversacional, pipeline de voz em tempo real e gerenciamento colaborativo. Veja como tudo começou.

Pontos chave a reter:
- As melhores ideias de produtos nascem de frustrações pessoais repetidas — não de estudos de mercado abstratos.
- React Native com a Nova Arquitetura (Fabric) permite que um desenvolvedor web solo entregue um aplicativo móvel de alto desempenho sem nativo puro.
- Supabase oferece tudo o que um projeto solo precisa (autenticação, DB, armazenamento, Realtime) em um único serviço.
- O primeiro protótipo funcional (voz para tarefa criada) é o melhor validador de ideia — melhor do que qualquer plano de negócios.
Porta da geladeira coberta de listas de compras manuscritas e post-its coloridos
A realidade da gestão de tarefas familiares: pedaços de papel na geladeira que se perdem toda semana.

De onde veio a ideia de um gerenciador de tarefas por voz?

Tudo começou com uma frustração comum. Minha esposa e eu gerenciamos uma família de quatro pessoas. As listas de compras? Em um pedaço de papel colado na geladeira. As tarefas domésticas? Em nossas cabeças. E quando esquecemos algo — o que acontece frequentemente — é aquela pequena tensão do dia a dia. "Você não disse que cuidaria disso?" Sim, mas eu esqueci. Como sempre.

Paralelamente, sou membro de um clube de mergulho. E lá, é o caos organizado: tudo passa pelo WhatsApp. As saídas, as inscrições, o material, os relatórios. Dezenas de mensagens por dia em um grupo onde a informação se afoga. Você procura a data da próxima saída? Boa sorte para encontrá-la entre os memes e as fotos de peixes.

Dois contextos diferentes, o mesmo problema: a informação se perde porque as ferramentas que usamos não são feitas para isso. O papel não lembra. O WhatsApp não organiza. E os aplicativos de gerenciamento de tarefas existentes? Muito complicados, muitos campos para preencher, muita fricção.

Por que a voz é a resposta para a sobrecarga mental?

O insight que desencadeou tudo: pensamos e nos comunicamos pela fala, não por formulários. Quando você diz ao seu cônjuge "não se esqueça de comprar leite amanhã", é uma instrução clara. Mas quando você abre um aplicativo de tarefas, você precisa:

  1. Abrir o aplicativo
  2. Tocar em "+"
  3. Digitar o título
  4. Selecionar uma data
  5. Escolher um projeto/tag
  6. Salvar

Seis etapas para uma ação que leva 3 segundos para ser dita. É exatamente o problema descrito pelo conceito de fricção de captura na metodologia GTD (Getting Things Done) de David Allen: quanto mais fácil a captura de uma ideia, mais o sistema é utilizado.

Eu pensei: por que não podemos simplesmente dizer o que queremos fazer? "Adicione leite à lista de compras." "Lembre-me de preparar as garrafas para sábado." Sem abrir um aplicativo, sem digitar, sem procurar o campo certo em um formulário.

Foi assim que TAMSIV nasceu. Um gerenciador de tarefas e memorandos controlado por voz, com uma IA conversacional que entende o que você quer e age de acordo.

Quais escolhas técnicas para um desenvolvedor solo que lança um projeto móvel?

Desenvolvedor configurando um novo projeto em um laptop com as primeiras linhas de código
O primeiro commit: outubro de 2025. Um monorepo, três pastas e uma montanha de decisões a tomar.

Primeiro commit em outubro de 2025. Cada escolha técnica nesta fase é crítica — você está sozinho, não tem margem de erro, e voltar atrás custa caro.

Por que React Native e não nativo puro?

Sou desenvolvedor web por formação. O nativo puro (Kotlin/Swift) me atrasaria vários meses para um resultado equivalente. React Native com a Nova Arquitetura (Fabric) oferece desempenho satisfatório — o jank e os problemas de bridge que assombravam as versões anteriores foram resolvidos.

A escolha do monorepo com três pastas era óbvia:

  • frontend/ — React Native TypeScript para o aplicativo móvel
  • backend/ — Node.js Express com WebSocket para o servidor de IA
  • website/Next.js para a landing page e o dashboard web

Um único repositório, um único git log, tipos TypeScript compartilhados entre frontend e backend. A coerência é máxima.

Por que Supabase em vez de Firebase ou um backend customizado?

Supabase oferece tudo o que um projeto solo precisa em um único serviço: PostgreSQL gerenciado, autenticação integrada (e-mail, magic links e, posteriormente, QR code), armazenamento de arquivos e Realtime para sincronização em tempo real.

Firebase teria sido a outra opção óbvia, mas o modelo NoSQL (Firestore) não é adequado para dados relacionais como tarefas, memorandos, grupos e eventos. PostgreSQL é feito para isso — e Supabase o torna acessível sem gerenciar um servidor.

A estruturação do banco de dados viria mais tarde, mas a escolha do Supabase desde o início permitiu iterar rapidamente sem se preocupar com a infraestrutura.

Como funciona o pipeline de voz no coração do TAMSIV?

Pessoa falando em seu smartphone enquanto caminha ao ar livre
O caso de uso ideal: dizer o que se quer fazer, com as mãos livres, sem abrir menu nem preencher formulário.

O coração do projeto é o pipeline de voz. Desde o primeiro protótipo, eu conectei a cadeia completa:

  1. Áudio PCM 16kHz — capturado do microfone do telefone
  2. WebSocket em tempo real — envio do fluxo de áudio para o backend
  3. STT (Speech-to-Text) — transcrição pelo motor nativo do dispositivo (com fallback Deepgram)
  4. LLM (Large Language Model) — análise do texto e decisão de ação via OpenRouter
  5. Function calling — o LLM chama uma função (create_task, create_memo, etc.)
  6. TTS (Text-to-Speech) — resposta vocal via OpenAI TTS

O usuário fala, o backend transcreve, envia o texto para um LLM que decide o que fazer e retorna uma resposta vocal. Tudo isso em poucos segundos.

Os primeiros testes foram mágicos. Dizer "crie uma tarefa comprar pão para amanhã" e ver a tarefa aparecer com a data correta... é o tipo de momento que te confirma que você está no caminho certo. Não precisa de um plano de negócios de 50 páginas — quando o protótipo funciona e você pensa "eu quero usar isso todos os dias", a ideia é validada.

Quais são os desafios de um desenvolvedor solo em um projeto tão ambicioso?

Ser um desenvolvedor solo é ter total liberdade nas escolhas técnicas. Sem reuniões, sem compromissos, sem "vamos discutir isso na segunda-feira". Você vê um problema, você o corrige. Você tem uma ideia, você a codifica.

Mas também é a solidão diante dos bugs às 23h. Ninguém para revisar seu código, ninguém para desafiar suas escolhas, ninguém para te dizer "você está no caminho certo" quando você duvida. É um sentimento que muitos fundadores técnicos solos conhecem.

O build in public — contar a aventura através deste blog e das redes sociais — tornou-se minha maneira de compensar essa solidão. Cada artigo é um checkpoint, uma prova de que o projeto avança, uma forma de receber feedback mesmo sem equipe.

Como passamos do primeiro commit para mais de 700 commits em 6 meses?

A jornada desde o primeiro commit seguiu uma trajetória que eu não poderia ter planejado:

O artigo detalhado sobre os mais de 650 commits traça cada etapa em profundidade.

Quais lições aprender para lançar um projeto solo?

  1. Comece pela sua própria frustração. Os melhores produtos resolvem um problema que o criador vive diariamente. Você será seu primeiro usuário e seu melhor testador.
  2. Escolha ferramentas que multipliquem sua produtividade. React Native, Supabase, OpenRouter — cada escolha deve te fazer ganhar semanas, não horas.
  3. Prototipe rápido, valide rápido. O primeiro pipeline de voz funcional me levou 3 dias. Este protótipo validou a ideia melhor do que qualquer estudo.
  4. Documente a aventura. O "build in public" não é marketing — é um diário de bordo que te força a ter perspectiva e que cria uma comunidade em torno do projeto.

Perguntas frequentes

É preciso saber programar em nativo para criar um aplicativo móvel com IA?

Não. React Native com TypeScript permite que um desenvolvedor web crie um aplicativo móvel de alto desempenho. Para IA, serviços como OpenRouter e OpenAI fornecem APIs que não exigem habilidades em machine learning. O mais importante é entender a arquitetura cliente-servidor e os WebSockets.

Quanto custa o desenvolvimento de um aplicativo como o TAMSIV em desenvolvimento solo?

Em custos diretos: Supabase (plano gratuito no início, depois ~25 EUR/mês), OpenRouter (~0.001 EUR/mensagem LLM), OpenAI TTS (~0.015 EUR/1000 caracteres), Runware para as imagens (~0.003 EUR/imagem). O custo principal é o tempo: 6 meses em tempo parcial, ou seja, cerca de 500-600 horas de trabalho.

Por que um monorepo em vez de repositórios separados?

Para um desenvolvedor solo, a coerência é primordial. Um único repositório significa um único histórico git, tipos TypeScript compartilhados e nenhuma sincronização de versões entre pacotes. O monorepo se torna mais complexo de gerenciar a partir de 3-4 desenvolvedores, mas para um projeto solo, é ideal.

O pipeline de voz funciona offline?

Parcialmente. O STT nativo do dispositivo funciona sem internet (reconhecimento de voz local). Mas o LLM e o TTS exigem uma conexão com o backend. Um modo offline com fila de espera está no roadmap — os comandos de voz seriam armazenados localmente e processados na reconexão.

O WhatsApp não é suficiente para gerenciar tarefas em grupo?

Não, e é exatamente o problema que inspirou o TAMSIV. O WhatsApp é uma ferramenta de comunicação, não de organização. As informações se perdem no fluxo de mensagens, nada é estrutural, não há lembretes, datas de vencimento, nem atribuições. É o caos organizado — e os grupos colaborativos do TAMSIV resolvem precisamente esse problema.